ESCRITOS

MEUS DUOS DE VIOLÃO

Tocar violão em duo é um dos mais deliciosos prazeres que o violão me deu.
Ensaiar e principalmente tocar em público, compartir o palco com um amigo que também está enrolado nas seis cordas é uma experiência magnífica.
Minha primeira vez foi com Antonio Carlos Goya, lindo filho de japoneses, amigão do curso de Manzione, em Santos, nos idos anos 70. Tocamos o Intermezzo das Goyescas de Granados, o famoso arranjo de Pujol - é claro que éramos loucos pelo Duo Abreu!
Foi um concerto no Teatro Municipal de Santos, minha estréia também como solista tocando La Catedral de Barrios. Tinha eu 15 anos e foi a única vez que usei um longo ( era branco e foi uma transformação que minha super mãe Mael Haro fez, de um vestido ou toalha de linho, muito antigo ... )
Passaram-se os anos e quando fui morar no sul da maravilhosa e transformadora Ilha de Santa Catarina fiz um recital com duos e solos com meu amigo Arthur, mais um gostoso momento de ensaios e aprendizado.
Quando cheguei ao Rio, fui acolhida por Marcos Farina .
Esse talentoso músico-físico me apresentou a vida carioca e entre choros e amigos tocamos a Tarantella de Pierre Petit e outros duos.
Tive o privilégio de tocar alguns recitais com Nicolas de Souza Barros, meu irmãozão que sabe tudo de violão, cá no Rio, acho que foi em 84, por aí.
Tocar com Nicanor Teixeira foi uma delícia musical à parte!
Seus segundos violões dos choros tradicionais do violão, suas interpretações , suas histórias,suas músicas... Privilégio delícia !
Uma tradição viva, bem ali na minha frente!
Durante uns quatro anos, na década de 90, fiz um duo com meu querido amigo Bartholomeu Wiese.
Muitos concertos, convivência, aprendizado e a certeza de ter feito um trabalho intenso, dedicado e bonito.
Já no século XXI estou tendo a felicidade de tocar em duo com a incrivelmente talentosa
Vera de Andrade, companheira de vida e música,
sempre uma descoberta e um encantamento ouvir o violão e a música dela, um verdadeiro presente da vida para mim.
Na verdade temos um duo eterno e sazonal - carreirísticamente falando – mas vamos tocar e gravar muito por aí, eu sei.
Nos 50 anos de ausência de Villa-Lobos, tive a imensa alegria tocar com o talentoso e poderoso Marco Lima, quando fizemos a integral do Villa e tocamos em duo os Estudos 3 e 12 e o Choros 1. Foi uma delícia! Tenho o maior orgulho de meu queridíssimo Marcão!
E para comemorar meus quarenta anos de aprendizado no violão - comecei a estudar em 1973 -
ganho esse presente maravilhoso e inesperado de tocar em duo com o artista e mestre do violão Turibio Santos.
Agradeço por todas as vezes que toquei com amigos, que aprendi um acorde com eles, que os vi tocar, que senti sua música; todas as vezes em que rimos juntos tocando, por acertar e por errar; todas as vezes em que aconteceram todos esses sons irmanados neste nosso encontro diário com a vida.
Sou eternamente grata à vida, à música, ao violão e a meus amad@s companheir@s pelas oportunidades de convivência musical e de aprendizado.

“Gracias a la vida que me há dado tanto...”

Maria Haro
Rio, 2013


 

página inicial | escritos